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Terça, 21 Abril 2015 21:00

Brasil recebe debate sobre o futuro da resposta à aids, IST e hepatites nas Américas

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Diretor do Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde inaugurou o evento da OPAS/OMS, representando o ministro Arthur Chioro


SÃO PAULO – O diretor do Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde (DDAHV), Fábio Mesquita, abriu nesta terça-feira (14/04) a consulta regional "Estratégias Globais da área da saúde para HIV, IST e Hepatites Virais e plano de ação da Opas para Hepatites Virais: definindo a agenda pós-2015" – sediada pelo Brasil para debater ações globais propostas pelas Américas na agenda pós-2015. A discussão subsidiará três Estratégias Globais de Saúde para estes temas no período 2016-2021. O evento segue até quinta-feira (16/04), em São Paulo.


Ao todo, 21 países – Argentina, Bahamas, Barbados, Chile, Canadá, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Republica Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Jamaica, México, Panamá, Paraguai, Peru, Trinidad e Tobago, Estados Unidos e Venezuela – participam desta consulta regional, ao lado de representantes de organismos internacionais e agências de cooperação, de governo e da sociedade civil. A consulta foi promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e o Ministério da Saúde – por meio do DDAHV.


As três Estratégias Globais de Saúde (ou Global Health Sector Strategies/GHSS, em inglês) que estão sendo desenvolvidas pela OMS serão apresentadas na 69ª Assembleia Mundial da Saúde em 2016.


As GHSS 2016-2021 abrangem uma fase crítica para o HIV, as IST e as hepatites virais, já que orientam ações necessárias ao alcance das ambiciosas metas da OMS para 2030 – focadas na eliminação e/ou fim das epidemias. Neste contexto, as contribuições de todas as regiões são cruciais ao desenvolvimento das três GHSS.


COMPROMISSO – Fábio Mesquita representou o ministro da Saúde, Arthur Chioro, na abertura do encontro. “É uma honra para o Brasil sediar esta consulta”, disse Mesquita, citando o ministro – reiterando que “o Brasil vem reafirmar o compromisso de fazer com que as IST, as hepatites virais e a aids deixem de ser graves problemas de saúde pública até 2020”.


“O mundo agora discute uma nova agenda para o desenvolvimento sustentável pós-2015, que será aprovada durante a próxima Assembleia Mundial das Nações Unidas, em setembro”, lembrou Mesquita. “Sabemos que a saúde é, ao mesmo tempo, o pré-requisito do desenvolvimento sustentável e um de seus mais importantes resultados”, reiterou, em nome do ministro.


Mesquita reafirmou aos presentes que, “para os três agravos que serão abordados nesta consulta, o Brasil tem adotado novas políticas e estratégias baseadas em evidências científicas, focalizadas em grupos prioritários, com incorporação de novas tecnologias, e sempre em diálogo com todos os setores da sociedade brasileira”.


“O Brasil recentemente se comprometeu, com os países da América Latina e do Caribe, com as metas 90/90/90 em HIV e aids: até 2020, 90% das pessoas vivendo com HIV/aids no Brasil conhecendo seu diagnóstico; 90% de todas as pessoas diagnosticadas recebendo terapia antirretroviral; e 90% das pessoas em tratamento com carga viral suprimida”, disse Mesquita, reafirmando que as diretrizes brasileiras recomendam a oferta da terapia antirretroviral para todas as pessoas vivendo com HIV, independentemente do critério clínico ou imunológico. “Como resultado do estabelecimento desta política sustentável de acesso universal, hoje há mais de 400 mil pacientes sendo tratados no Brasil.”


Além disso, “evidências científicas recentes vêm demonstrando que os instrumentos para acabar com os níveis epidêmicos de aids encontram-se disponíveis – e isto é uma enorme mensagem de esperança para milhões de pessoas vivendo com HIV e aids”, disse Mesquita.


Quanto às hepatites virais, ainda citando o ministro Chioro, o diretor do DDAHV afirmou que o Brasil tem “encampado uma verdadeira revolução no tratamento, implantando novo protocolo clínico e novas opções terapêuticas para Hepatite C, que contemplam modalidade de tratamento livre de interferon, assegurando um tratamento mais eficaz, por um período mais curto, com menos efeitos adversos e mais barato”.


Mesquita concluiu o discurso de abertura dizendo acreditar que “os princípios de acesso universal à saúde, da equidade, integralidade e participação social – bases do Sistema Único de Saúde brasileiro – são os fundamentos que nos permitirão trilhar o caminho e tornar possível o cumprimento das metas no pós 2015”.
“Sabemos que as metas para 2020 são ambiciosas, mas acreditamos que são factíveis quando reconhecemos exemplos de conquistas na América Latina e no Caribe, alcançadas por países em desenvolvimento que enfrentam desafios tão diversos como limitações financeiras, frágeis sistemas de saúde e pobreza. Precisamos tomar esta oportunidade para colocar o enfrentamento desses três agravos no centro dos debates para o pós-2015.”


Na avaliação do diretor do DDAHV, Fábio Mesquita, “a discussão das três novas Estratégias Globais de Saúde para IST, HIV e Hepatites Virais – bem como da Estratégia Global do Unaids para HIV – começou de forma intensa e interessante, envolvendo mais de 20 países da América Latina e do Caribe, academia, sociedades científicas, ONGs, parceiros bilaterais e multilaterais, buscando uma construção conjunta de problemas que não se esgotam com o fim dos Objetivos do Milênio de 2015 – e que certamente irão ajudar a definir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da agenda pós-2015. O primeiro dia da consulta regional foi um grande sucesso”, afirmou.


SESSÕES – O primeiro dia da consulta regional OMS/Opas foi aberto com a sessão Contexto da Estratégia Global da Resposta ao HIV, IST e as Hepatites Virais – que abordou os destaques e desafios globais inerentes a esta resposta; o contexto dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e das estratégias da OMS para fortalecer a área de saúde; e a necessidade de uma estratégia global para fazer frente ao impacto oculto das infecções de transmissão sexual.


Em seguida, ao longo da tarde, diversas sessões evidenciaram o contexto da estratégia regional da resposta ao HIV/aids, às IST e às hepatites virais, apresentando particularidades e desafios específicos a diversos países da região, caso da Argentina, liderança internacional na resposta à Hepatite A, devido a uma pioneira ação de vacinação.


As observações e recomendações resultantes das sessões serão reunidas por relatores, ao final de cada dia – e, reunidas, formarão o conjunto de propostas da consulta regional para as metas globais.


LÍDER GLOBAL – O programa de aids brasileiro foi bastante elogiado durante o primeiro dia da consulta regional OMS/Opas.
“Não é coincidência o fato de esta consulta estar sendo realizada no Brasil: o país é exemplo para a região e para o mundo", disse o diretor do departamento de HIV/aids da OMS, Gottfried Hirnschall, durante sua apresentação Destaques e desafios globais da resposta ao HIV/Aids, Hepatite e IST. Segundo Hirnschall, o mundo precisa ser “ambiciosamente realista” ao intensificar a resposta à epidemia de aids, com vistas a sua eliminação até 2030.


Já o conselheiro sênior de estratégias e operações do Departamento de HIV/aids da OMS, Andrew Ball, reiterou que não haverá fim da epidemia sem a universalidade e a gratuidade que caracterizam o SUS brasileiro, por exemplo. "Serviços e remédios devem estar disponíveis, de graça, para todas as pessoas que precisam deles", afirmou.


Representante da sociedade civil, Robinson Cabello – da ONG Via Libre – do Peru – apresentou o painel O Papel da Sociedade Civil frente aos novos e velhos desafios na resposta ao HIV e IST e também teceu elogios ao protagonismo brasileiro no enfrentamento à epidemia. De acordo com Cabello, o projeto Viva Melhor Sabendo, do DDAHV, é um exemplo positivo, "não muito exercido por outros países", de participação da sociedade civil na execução de políticas públicas.
AGENDA - Amanhã (15/04), a consulta entra em seu segundo dia. Os participantes serão divididos em três grupos de trabalho, para abordar IST, HIV e hepatites virais separadamente. Todos os grupos de trabalho terão a oportunidade de compartilhar suas conclusões no último dia, em plenária. Um grupo de relatores reunirá as observações e recomendações apresentadas ao longo da consulta.


Esta é a primeira rodada de consulta regional realizada pela OMS para as Estratégias Globais de Saúde. Várias outras, nos demais continentes, serão realizadas nos próximos meses.

Fonte: http://www.aids.gov.br/noticia/2015/brasil-recebe-debate-sobre-o-futuro-da-resposta-aids-ist-e-hepatites-nas-americas